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Autor Tópico: Volfrâmio - O Conflito Escondido - Enquadramento Histórico  (Lida 6723 vezes)

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Volfrâmio - O Conflito Escondido - Enquadramento Histórico
« em: Setembro 29, 2005, 02:44:21 pm »

"Portugal, Espanha, o volfrâmio e os beligerantes durante e após a Segunda Guerra Mundial",

Ano: 1942
Mês: 1
Dia: 24


Descrição: Portugal e a Alemanha assinam, um acordo sobre volfrâmio fixando as quantidades a exportar e delimitando a percentagem de minérios a entregar a cada contendor.

No dia 1 de Setembro de 1939, o governo português emitiu uma declaração sob o título "A Neutralidade Portuguesa no Conflito Europeu", publicada na imprensa diária do dia seguinte. Aquela declaração reafirmava a aliança com a Grã-Bretanha, acrescentando que, felizmente, as obrigações daí decorrentes não exigiam a participação de Portugal na guerra (1). Esta perspectiva era comum a ambos os países, tal como se pode ler no "aide-mémoire" britânico de 5 de Setembro:

O Governo de Sua Majestade no Reino Unido agradece a prova dada pelo Governo Português no dia 1 de Setembro e concorda que a adopção de uma posição de neutralidade por Portugal seria da maior utilidade para o interesse mútuo quer de Portugal quer da Grã-Bretanha, em face da presente crise. Concorda também com a decisão do Governo Português de evitar fazer qualquer declaração de neutralidade (2).

Os anos que se seguiram puseram à prova este acordo entre as duas potências, não tendo porém alterado a sua essência. Em cada uma das fases do conflito internacional, os Aliados apresentaram a Portugal exigências diversas, como por exemplo no caso dos Açores em que inicialmente, a neutralidade era suficiente. Porém, em Maio de 1943, a premente necessidade de tornar aquelas ilhas uma parte integrante do esforço de guerra dos Aliados levou Churchill a considerar muito seriamente a possibilidade de as tomar pela força, se necessário (3). O caso do volfrâmio teve uma evolução semelhante. Em Outubro de 1943, Churchill comunicou ao Embaixador português em Londres que "achava muito bem" a continuação da venda deste mineral por parte de Portugal aos alemães, "para os ter quietos". No entanto, já em Março de 1944, escrevia a Salazar, solicitando-lhe que cessasse essas exportações, que estavam a contribuir para matar soldados britânicos (4). (De facto, o governo britânico invocou formalmente a Aliança a respeito desta questão no dia 29 de Maio de 1944, tendo as autoridades portuguesas decretado um embargo à exportação de volfrâmio para a Alemanha, que entrou em vigor no dia 7 de Junho daquele ano ) (5).

À medida que prosseguiam os esforços de guerra, a natureza dos pedidos cada vez mais exigentes feitos a Portugal pelos Aliados tinha um paralelo nas pressões igualmente fortes oriundas do Eixo, uma situação que tornou a gestão da neutralidade do País por parte das autoridades portuguesas uma questão altamente complexa (6). Contudo, e apesar de divergências ocasionais e de alguns momentos de tensão, a verdade é que nem Portugal tinha qualquer opção em alternativa à Aliança Luso-Britânica, nem a Grã-Bretanha jamais chegou a solicitar aos seus "mais velhos aliados" a participação directa na guerra. Pelo contrário, estes insistiram sempre que a neutralidade de Portugal era a posição mais conveniente para os interesses dos dois países (7). Esta neutralidade tinha porém como seu anverso o facto controverso e desagradável, mas inevitável, de que Portugal teria de continuar a comerciar também com a Alemanha.

“Os Bancos Centrais da Alemanha e de Portugal"

As relações entre os bancos centrais de Portugal e da Alemanha durante o período em questão foram moldadas essencialmente por três séries de acontecimentos. O primeiro foi o acordo de compensação assinado entre eles em 1935. O segundo foi o grande aumento nas transacções comerciais entre os dois países a partir de 1942, com especial referência para o acordo do volfrâmio, do mesmo ano. O terceiro acontecimento foi a visita de Hans Treue a Lisboa, em Maio de 1942, de que resultou o início das transacções em ouro por intermédio da conta do Banco de Portugal em Berna.”


“A Monitorização Aliada dos Fluxos de Ouro”

“De início, os Aliados esforçaram-se por localizar, quantificar e acompanhar os movimentos em ouro, através dos vários canais que percorriam entre Berna e Lisboa. Em Berna, por exemplo, Allen Dulles dispunha de excelentes fontes de informação em círculos bancários e os movimentos transnacionais dos camiões que transportavam o ouro eram também cuidadosamente registados (35). Os Britânicos dispunham igualmente de um bom acesso às comunicações de e para Portugal e particularmente às que utilizavam a rede por cabo (36). Além disso, os Aliados dispunham de "observadores" colocados nos bancos portugueses, que os mantinham informados de todos os movimentos de possível interesse aí realizados (37).”

“Lembro de trabalhar na busca do volfrâmio na época da guerra numa companhia alemã num lugar chamado Cortez …Valle do Vouga....Então fui para lá lavar daquela terra que saia dos tuneles onde saia o minério…andei muito tempo eu e muito pessoal a lavar aquela terra…onde ficava o volfrâmio no fundo daquelas caleiras de madeira …. Essa companhia saiu mais ou menos em 1944, mas depois ficaram uns portugueses lá com ela…ficaram uns 3 a 4 anos...mas já era uma exploração mais fraca …o volfrâmio trouxe bastante benefício porque acontece o seguinte…trabalhava lá muita gente daquelas aldeias todas por ali e de outras terras ...então muitos começaram a explorar aqueles terrenos por conta deles e a vender para compradores…mas aquilo era uma coisa provisória faz de conta que era como estes mieniros aí em Minas que andam atrás do ouro ...garimpeiros...assim era na altura lá ...”

“Muitas histórias se desenvolveram à volta desta indústria. Histórias de riquezas fáceis e efémeras, de saúde e doença, histórias de corrupção, de guerra, histórias de vida e de morte... Ficou gravado no imaginário Português.”

"Muitas minas de volfrâmio são propriedade da Inglaterra, mas esta não as explora, para assim as manter em reserva, com prejuízo da economia do país onde se encontram, enquanto adquire volfrâmio na Turquia ou na Birmânia; e a Alemanha, sem interesse nas minas, apresentava-se a pagar bons preços e a valorizar uma riqueza portuguesa» ( F. Nogueira, Salazar. As Grandes Crises - 1936-1945, p. 351). Em 1942, a Alemanha recebeu 75% do minério livre e, em 1943, ainda 50%. No início do ano seguinte, aumentaram as pressões inglesas para que fosse decretado o embargo total, primeiramente, Salazar colocou reticências, mas acabará por ceder, em Junho de 1944 (cf. Antº José Telo, “Portugal de 1939 a 1945”, Hist. do Séc. XX, vol. V, fasc. 12, p. 181)." E a nossa história começa aqui.

Portugal, sob os acordos de neutralidade assinados por António Oliveira Salazar, tinha várias concessões de exploração de minério de Volfrâmio, concessões essas, assinadas tanto com empresas Britânicas (Aliados), como com empresas Alemãs (Eixo).

Com o aproximar do final da II Guerra Mundial, e graças á entrada dos EUA no conflito, a vantagem virou bruscamente, levando Salazar a decretar o embargo ás exportações para a Alemanha, findando assim uma complicada rede de entrada de ouro no País, oriundo da Alemanha, passando pela Suissa, Itália, Argélia, Espanha, para finalmente entrar nos cofres do Estado.

Mas o embrago não se mostrou inicialmente eficaz, pois os Alemães dominavam os meios governamentais de Salazar e também a Policia Política, através das suas facções mais Germanófilas, dando como exemplo o sub-Director Geral da PVDE (Policia de Defesa e Vigilância do Estado), Agostinho Barbieri Cardoso, e continuaram a sua actividade de uma forma mais camuflada.

Os Ingleses, numa última tentativa de acabar com o fluxo de volfrâmio para o Eixo, e assim terminar com a sua capacidade de produção de armamento pesado, decidem enviar para Portugal elementos dos Serviços Especiais, no sentido de organizar uma revolta popular contra as principais empresas de extracção de minério.

Não foi difícil, pois os efeitos nocivos das águas das minas traduziram-se no aparecimento de peixes mortos nos leitos dos rios, devido ás enormes quantidades de “sais de chumbo” e “enxofre”, que também envenenavam as terras cultiváveis da bacia do Vouga.

Entretanto, algumas figuras notáveis da região, Anglófilas, como o caso do Conde da Borralha, liderou um movimento chamado “Comissão de defesa dos Campos de Águeda” com poderes “para estudar os meios a empregar no sentido de se obstar à continuação dos gravíssimos prejuízos causados pelas Minas do Vale do Vouga”.

Com a crescente oposição ás minas, e com regulares manifestações populares, o Eixo manda para Portugal elementos das SS dissimulados sob o disfarce de empresários ligados a grandes empresas alemãs, como a Wolffen AG, Krupps e outras. Esses empresários, começaram por comprar os mais evidenciados representantes populares, tentando assim, findar com a oposição, e desviar as atenções do facto de estarem a violar o embargo decretado pelo Governo.

A PVDE, também, por sua vez e por influencias dos seus dirigentes mais simpatizantes com o Eixo, também viriam para o terreno, no sentido de acabar com os movimentos populares, e iniciam uma perseguição a todos os que tentavam de alguma forma, acabar com os pontos de extracção de minério do Eixo.

Franz Hincker, foi o enviado do eixo, para tentar pressionar as facções mais Germanófilas do governo Português a permitir, de uma forma camuflada, o envio do minério para a Alemanha.
Mas toda esta pressão, desencadeia um forte e violento movimento popular, na :

Noite de 24 de Junho de 1943

22H - Num Hotel em Sever do Vouga, 10 Homens de negócios Ingleses, impecavelmente bem vestidos, saiem em dois carros, alegadamente para percorrerem a zona.

22H30M - Na freguesia do Préstimo, sob o olhar atento dos soldados da GNR, um grupo de populares faz mais uma manifestação na praça central.

23H - Nas minas do Vale do Vouga, mais uma noite calma, embora toda a área fortemente guardada por elementos das SS á civil, com armas automáticas escondidas sob os casacos.

23H30 – Franz Hincker termina uma reunião no salão nobre da administração mineira, com os elementos das SS e com o Oberstgruppenführer Josef “Sepp” Dietrich que se encontrava no local, como enviado secreto de Heinrich Himmler, na sua ultima tentativa de continuar o fluxo de minério de Portugal para a Alemanha.

24H – Os populares, fortemente armados pelos Ingleses, e sob a coordenação destes, atacam o complexo mineiro, enfrentando a guarda alemã, com ferocidade.
Paintugal - Associação Portuguesa de Paintball Recreativo - APD
Por publicação em D.R. 01/2006 III Série - Apartado 2003 EC Figueira da Foz 3081-901 Figueira da Foz

 

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