A insustentável leveza do marcador
Hoje em dia falar de marcadores é sinónimo de falar em performance, peso e durabilidade.
A performance dos marcadores actuais está a deixar os adeptos e desportistas totalmente loucos. É usual hoje em dia um jogador de média qualidade mudar o marcador uma vez por ano. Mas um fenómeno ainda mais anormal está a acontecer, existe já um mercado cada vez maior de jogadores a mudar de marcador duas e três vezes ao ano.
O grande culpado disto tudo é a tremenda sedução da performance aliada ao marketing agressivo dos grandes fabricantes que está a atingir o jogador mesmo no meio do coração, é o que se chama compras por impulso, nem sequer há tempo para contar as notas e quando o marcador sai já o queremos ter nas mão pronto a disparar.
Com o evoluir dos materiais aplicáveis na indústria, os laboratórios e cientistas tentam através de experimentações obter o melhor material para uma dada aplicação. No mundo do paintball acontece precisamente o mesmo, os grandes fabricantes lançam modelos novos onde é notório a aplicação de matérias compósitos que tornam cada vez mais leves os marcadores. Comparando com marcadores à cinco anos atrás a diferença é notória. Os materiais utilizados resumiam-se aço e alumínio duro, alguns plásticos e o marcador tinha o peso correspondente ao tamanho, isto é, um autêntico “tijolo”. Hoje em dia um marcador encolhe de tamanho, encolhe drasticamente de peso e aumenta de cadência.
Mais compacto.
Mais leve.
Mais rápido.
Mais atributos a favor dos marcadores, actualmente, é impossível de arranjar.
Mas…
Tudo tem um reverso, onde as empresas ganham e muito para seduzir o potencial comprador, perdem e muito num argumento importantissimo que foi de propósito deixado de parte:
A durabilidade.
Presentemente está mais que provado que os marcadores estão a comportar-se como certos carros. No primeiro ano de vida tudo bem (nem todos!), no segundo com alguns contratempos, no terceiro são sucatas.
Tomemos o exemplo dos marcadores cheios de peças pequenas e orrings minúsculos.
O seu desgaste, se for frequentemente utilizado, é enorme e passado um tempo terá de se mudar praticamente as partes internas. As avarias num marcador deste tipo começam a aparecer mais cedo e a assistência técnica especializada é muito mais solicitada do que normalmente com os famosos marcadores feitos para durar.
Mas o marketing e os desenhos, cores e performances apelativos destas máquinas infernais de vomitar bolas é superior a qualquer tipo de raciocínio lógico e ponderação no acto da compra.
É bonito, é compacto, é leve, dispara indecentemente, logo é bom!
Quem sofre com isto?
O coitado do comprador sem dinheiro que vai comprar um marcador destes em segunda mão e tem a infelicidade de passar a maior parte do tempo com ele na assistência técnica das lojas onde todos nós sabemos por vezes o desespero que é para conseguirmos ser atendidos mesmo em cima de um torneiro.
A durabilidade destas máquinas não é o seu forte e o investimento, por vezes astronómico, pode ficar comprometido pela qualidade de construção.
Para equipas e jogadores de topo é fácil mudar de marcador duas vezes por anos e para equipas de lojas a facilidade de assistência aos seus marcadores está assegurada, mas para o coitado do jogador de meio da tabela comprar um marcador topo de gama em segunda mão pode revelar-se uma autentica armadilha.
A culpa é dos fabricantes que hoje em dia sacrificam a qualidade a favor da performance.
Sendo assim é de esperar que cada vez mais gente num curto espaço de tempo acabe por mudar de marcador e o mercado de pechinchas ficar cada vez mais cheio de bons marcadores topo de gama com uma construção deficiente onde a durabilidade é altamente sacrificada.
Alguém já se inteirou de quanto custa a mão-de-obra numa loja para arranjar estes marcadores?
Não?
Pois…
Um abraço
Américo Ribeiro